The effects of the spin and quadrupole moment of SgrA* on the orbits of S stars

Este artigo caracteriza analítica e numericamente as reorientações orbitais induzidas pelo spin e momento quadrupolar de Sgr A* até a segunda ordem post-newtoniana, fornecendo expressões de taxas de precessão que permitirão ao futuro instrumento GRAVITY+ testar o teorema da calvície ao medir os efeitos relativísticos em estrelas S próximas ao centro galáctico.

K. Abd El Dayem, F. H. Vincent, G. Heissel, T. Paumard, G. Perrin

Publicado 2026-03-11
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Imagine que o centro da nossa galáxia, a Via Láctea, é como um gigantesco redemoinho de água em um ralo. No meio desse redemoinho, existe um "monstro" invisível e superpesado chamado Sgr A*, que é um buraco negro supermassivo.

Por anos, os astrônomos observaram estrelas (chamadas de "estrelas S") dançando ao redor desse monstro. A dança delas é tão precisa que podemos usar essa música para entender as regras do universo. Mas, até agora, a gente só conseguia ouvir a melodia principal. Este novo artigo é como se fosse um engenheiro de som que aprendeu a capturar os detalhes mais finos e sutis da música, que antes eram apenas ruído de fundo.

Aqui está o que os cientistas descobriram, explicado de forma simples:

1. O Monstro não é apenas uma bola de massa

Pense no buraco negro como um patinador no gelo.

  • Massa: É o peso do patinador. Isso faz com que ele puxe tudo ao redor (como a gravidade comum).
  • Rotação (Spin): É o patinador girando. Quando ele gira, ele arrasta o próprio gelo (o espaço-tempo) junto com ele. Isso é chamado de efeito Lense-Thirring. É como se o buraco negro estivesse "torcendo" o tecido do universo ao seu redor.
  • Forma (Quadrupolo): Como o patinador gira muito rápido, ele não é uma esfera perfeita; ele fica um pouco achatado nos polos e inchado no meio (como uma bola de rugby). Essa deformação também afeta como as estrelas orbitam.

O artigo diz que, para provar que o buraco negro é realmente o que a teoria de Einstein diz que ele é (o "teorema do sem-cabelo", que significa que ele só tem massa, rotação e carga), precisamos medir não apenas a massa, mas também como ele gira e como ele é achatado.

2. O Problema: As estrelas atuais estão "longe demais"

As estrelas que já conhecemos, como a famosa S2, são como patinadores que estão dançando longe do centro do gelo. Elas sentem a rotação do monstro, mas é como tentar sentir o vento de um furacão estando a 100 km de distância: é muito fraco para medir com precisão.

O artigo propõe uma ideia brilhante: precisamos de estrelas mais próximas.
Imagine que, em vez de observar o patinador de longe, pudéssemos colocar uma câmera em um patinador que está colado no centro do gelo, girando loucamente. As estrelas que estão muito perto do buraco negro sentiriam esses efeitos de "torção" e "achatamento" de forma muito mais intensa.

3. A Solução: O "S2/10" e o Telescópio GRAVITY+

Os autores criaram um personagem fictício chamado "S2/10".

  • Ele é igual à estrela S2, mas está 10 vezes mais perto do buraco negro.
  • Por estar mais perto, ele gira muito mais rápido (o ano dele é 1000 vezes mais curto).
  • Por estar mais perto, a "torção" do espaço-tempo e o "achatamento" do buraco negro o afetam de forma dramática.

O artigo mostra que, se pudermos encontrar estrelas assim (que podem ser muito fracas para os telescópios atuais, mas que o novo telescópio GRAVITY+ poderá ver), conseguiremos medir a rotação do buraco negro com precisão cirúrgica.

4. O que acontece com a órbita? (A Dança da Estrela)

O artigo explica que a órbita da estrela não é um círculo perfeito que se repete. Ela é como uma elipse que muda de forma e posição a cada volta. Existem três tipos de "torções" principais que eles descreveram:

  1. O Giro no Plano (Precessão de Schwarzschild): A elipse gira no mesmo plano, como um pião. Isso já foi medido.
  2. O "Arrasto" do Espaço (Lense-Thirring): Como o buraco negro gira, ele "puxa" a órbita da estrela para o lado, como se você estivesse em um carrossel e alguém empurrasse você para o lado. Isso faz a órbita inclinar e girar de uma maneira específica.
  3. O Efeito do Achatamento (Momento Quadrupolar): A forma achatada do buraco negro faz a órbita da estrela "balançar" para cima e para baixo, como se a estrela estivesse tentando escapar de um vale achatado.

5. Por que isso é importante?

Se conseguirmos medir esses pequenos movimentos nas estrelas mais próximas (como o nosso "S2/10"), poderemos responder a perguntas gigantes:

  • Qual é a velocidade de rotação do buraco negro? (Ele gira rápido como um pião ou devagar?)
  • Para onde ele aponta? (O eixo de rotação está alinhado com o disco de estrelas jovens ao redor?)
  • A Teoria de Einstein está correta? Se a rotação e o achatamento não seguirem a regra matemática exata prevista por Einstein, talvez precisemos de uma nova física!

Resumo em uma frase

Este artigo é um "manual de instruções" matemático e computacional que diz aos astrônomos: "Se vocês conseguirem encontrar estrelas muito próximas do buraco negro central e usarem o novo telescópio GRAVITY+, vocês poderão 'sentir' a rotação e a forma do monstro, provando se o nosso entendimento do universo está correto."

É como se a gente tivesse aprendido a ler a assinatura do buraco negro na poeira estelar, e agora só precisamos de uma lupa melhor (o GRAVITY+) e de estrelas mais próximas para ler a letra miúda.