Solar photospheric velocities measured in space: a comparison between SO/PHI-HRT and SDO/HMI

Este estudo compara as medições de velocidade na linha de visada obtidas pelos instrumentos SO/PHI-HRT (Solar Orbiter) e SDO/HMI durante um raro alinhamento em março de 2023, concluindo que os dados apresentam excelente concordância e alta correlação quando os efeitos instrumentais e as grandes velocidades solares são devidamente considerados.

D. Calchetti, K. Albert, F. J. Bailén, J. Blanco Rodríguez, J. S. Castellanos Durán, A. Feller, A. Gandorfer, J. Hirzberger, J. Sinjan, X. Li, T. Oba, D. Orozco Súarez, T. L. Riethmüller, J. Schou, S. K. Solanki, H. Strecker, A. Ulyanov, G. Valori

Publicado Tue, 10 Ma
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Título: Um "Dueto" Espacial: Comparando a Velocidade do Sol de Dois Ângulos Diferentes

Imagine que você está tentando medir a velocidade do vento em uma tempestade. Se você tiver apenas um termômetro, é difícil saber se o vento está mudando de direção ou se o instrumento está apenas "errado". Agora, imagine que você tem dois termômetros: um na sua mão e outro num balão que está flutuando a alguns quilômetros de distância. Se os dois mostrarem números muito parecidos, você pode ter certeza de que a medição é confiável!

É exatamente isso que os cientistas fizeram neste artigo, mas em vez de vento, eles mediram o movimento da superfície do Sol, e em vez de balões, usaram dois telescópios espaciais gigantes.

Os Dois "Olhos" no Espaço

  1. SDO/HMI: Este é um telescópio que fica em órbita ao redor da Terra. Ele olha para o Sol o tempo todo, como um guarda-costas constante.
  2. SO/PHI-HRT: Este é um telescópio mais novo, a bordo da sonda Solar Orbiter. O legal dele é que ele pode se afastar da Terra e olhar para o Sol de um ângulo diferente, como se estivesse "de lado".

O objetivo do estudo foi: Será que esses dois telescópios "enxergam" o movimento do Sol da mesma maneira?

O Grande Encontro (A Oportunidade Única)

Normalmente, esses dois telescópios estão em lugares diferentes e olham para o Sol de ângulos estranhos, o que torna a comparação difícil. Mas, em 29 de março de 2023, aconteceu uma coincidência rara: a sonda Solar Orbiter passou exatamente entre a Terra e o Sol (como se estivesse alinhada com eles).

Nesse momento, os dois telescópios estavam olhando para a mesma mancha solar quase da mesma posição. Foi como se dois fotógrafos, um de pé e outro em uma cadeira, tirassem fotos do mesmo objeto ao mesmo tempo. Isso permitiu aos cientistas comparar os dados "pixel por pixel" (ponto por ponto da imagem).

O Que Eles Mediram?

Eles não mediram apenas a luz, mas sim a velocidade da superfície do Sol.

  • Subidas e Descidas: O Sol não é uma bola estática; ele "respira". Gás sobe (como bolhas de água fervendo) e desce. Isso é chamado de velocidade de linha de visão.
  • O "Fluxo Evershed": Eles olharam de perto para uma mancha solar (uma área escura e fria) e mediram o vento que sopra para fora dela, chamado de fluxo Evershed.

O Que Eles Descobriram?

A comparação foi um sucesso estrondoso! Aqui estão os resultados principais, traduzidos para uma linguagem simples:

  • Eles estão "na mesma página": Quando o telescópio da Terra dizia que o gás estava subindo a 100 metros por segundo, o telescópio da sonda dizia algo muito próximo disso. A correlação foi de 92%. É como se dois músicos estivessem tocando a mesma música perfeitamente sincronizados.
  • Uma pequena diferença de altura: Os cientistas descobriram que os dois instrumentos estão "vendo" camadas ligeiramente diferentes da atmosfera do Sol. O telescópio da sonda vê uma camada que fica cerca de 9 a 12 quilômetros acima da camada vista pelo telescópio da Terra.
    • Analogia: Imagine que você está olhando para um prédio. Um amigo está no chão (SDO) e você está no primeiro andar (SO/PHI). Vocês veem a mesma fachada, mas você está vendo um pouco mais acima. A diferença é pequena, mas existe.
  • O "Ruído" do Instrumento: Houve uma pequena diferença nos números absolutos (um desvio de cerca de 285 m/s). Isso não significa que um está errado, mas sim que cada instrumento tem suas próprias "calibrações" e ajustes internos, como se um relógio estivesse 5 segundos adiantado em relação ao outro. Os cientistas sabem como corrigir isso.

Por Que Isso é Importante?

Você pode estar se perguntando: "E daí? Por que nos importamos se eles concordam?"

  1. Ver o "Lado Oculto": O Sol gira. Às vezes, grandes tempestades solares estão no lado de trás do Sol, invisíveis para a Terra. Como a sonda Solar Orbiter pode olhar para o lado de trás, ela pode nos avisar sobre essas tempestades antes que elas girem e nos atinjam.
  2. Visão 3D: Se pudermos confiar que os dois telescópios falam a mesma língua, podemos combinar as imagens deles para criar um modelo 3D do Sol. É como usar os dois olhos para ter noção de profundidade. Isso ajuda a entender como o vento solar e as erupções se movem no espaço.

Conclusão

Em resumo, os cientistas provaram que os dois telescópios são parceiros confiáveis. Eles "cantam a mesma nota" com uma precisão impressionante. Agora, com essa confiança, eles podem começar a usar os dados de ambos para estudar o Sol como nunca antes, combinando as visões da Terra e do espaço profundo para prever o clima espacial e proteger nossa tecnologia na Terra.

É como ter dois olhos em vez de um: a visão do Sol ficou muito mais nítida e tridimensional!