Beyond the Prompt: An Empirical Study of Cursor Rules

Este estudo empírico analisa 401 repositórios de código aberto para criar uma taxonomia abrangente das regras de contexto (cursor rules) que os desenvolvedores utilizam para orientar assistentes de IA, identificando cinco temas principais — convenções, diretrizes, informações do projeto, instruções para LLMs e exemplos — e explorando como essas regras variam conforme o tipo de projeto e linguagem de programação.

Shaokang Jiang, Daye Nam

Publicado 2026-03-05
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Imagine que você contratou um estagiário super inteligente, mas que acabou de chegar de outro planeta e não conhece nem um pouco da sua empresa. Se você apenas disser: "Faça um código para o botão de login", ele vai tentar adivinhar como sua empresa funciona. Ele pode usar cores que você odeia, nomes de arquivos que ninguém entende ou até mesmo quebrar o sistema porque não sabe como você organiza as coisas.

Para resolver isso, você escreve um "Manual de Boas-Vindas" (ou um "Guia de Regras") para esse estagiário. No mundo da programação com Inteligência Artificial (IA), esse manual se chama Cursor Rules.

Este artigo de pesquisa é como uma grande investigação para entender o que os programadores estão escrevendo nesses manuais para ajudar a IA a trabalhar melhor.

Aqui está a explicação do estudo, traduzida para o dia a dia:

1. O Problema: A IA precisa de contexto

Antigamente, os programadores davam ordens curtas para a IA (como "escreva uma função"). Mas os pesquisadores descobriram que a IA funciona muito melhor quando entende o contexto. É a diferença entre pedir a um cozinheiro: "Faça um bolo" (ele vai fazer um bolo genérico) e dizer: "Faça um bolo de cenoura, sem nozes, usando a receita da vovó e assando no forno elétrico" (ele fará exatamente o que você quer).

No desenvolvimento de software, cada projeto tem suas próprias "regras da casa": como o código deve ser escrito, quais ferramentas usar e como a equipe trabalha.

2. A Investigação: O que está nos manuais?

Os autores analisaram 401 projetos de código aberto (como se fossem 401 empresas diferentes) que usavam esses "manuais de regras" (chamados de arquivos .mdc ou cursor rules). Eles leram milhares de linhas de texto para descobrir o que os programadores achavam importante ensinar à IA.

Eles organizaram tudo em 5 grandes categorias (os "temas" do manual):

  • 🏢 Informações do Projeto (O "Quem Somos"):

    • Analogia: É como dizer ao estagiário: "Nossa empresa usa o sistema X, o servidor é Y e o código precisa rodar no Windows".
    • O que tem lá: Quais linguagens usam, como instalar o programa, quais arquivos fazem o quê e o que mudou recentemente.
  • 📏 Convenções (O "Jeito de Fazer"):

    • Analogia: É a regra de vestimenta e etiqueta. "Aqui usamos calça jeans, mas sempre com camisa social" ou "Nunca escreva com letra cursiva".
    • O que tem lá: Regras de estilo de código. "Sempre use nomes em inglês", "Não use classes, use funções", "Siga o padrão da Airbnb".
  • 💡 Diretrizes (O "Bom Senso"):

    • Analogia: Conselhos de vida profissional. "Seja educado", "Teste sempre antes de entregar", "Não deixe buracos de segurança".
    • O que tem lá: Regras de qualidade. "Faça testes", "Mantenha o código seguro", "Seja eficiente".
  • 🤖 Diretivas para a IA (O "Treinamento Específico"):

    • Analogia: Instruções de como o estagiário deve pensar. "Não adivinhe, pergunte se não tiver certeza" ou "Pense passo a passo antes de agir".
    • O que tem lá: Isso é novo! São regras feitas especificamente para a máquina. "Seja um especialista em Python", "Sempre verifique se importou a biblioteca correta antes de gerar código".
  • 📚 Exemplos (O "Modelo"):

    • Analogia: Mostrar um bolo pronto para o estagiário ver como deve ficar.
    • O que tem lá: Trechos de código que mostram o que é "certo" e o que é "errado".

3. O que eles descobriram? (As Surpresas)

  • A IA ainda é um estranho: Muitos programadores ainda tratam a IA como um humano e escrevem manuais genéricos. Poucos estão usando as regras para "treinar" a IA especificamente (como pedir para ela pensar de um jeito diferente). É como se o estagiário fosse um gênio, mas ninguém lhe ensinasse como usar seu cérebro.
  • Cada linguagem tem seu tempero:
    • Projetos em JavaScript (muito usado na web) tendem a dar muitos exemplos, porque as tecnologias mudam rápido.
    • Projetos em C# ou Java (empresariais) dão mais detalhes sobre a estrutura do projeto, porque são sistemas complexos e rígidos.
  • Muita cópia e cola: Cerca de 29% do que está escrito nesses manuais é cópia de outros projetos ou de modelos prontos da internet.
    • O problema: Se você copia um manual de uma empresa de jogos para um projeto de banco, a IA pode ficar confusa. É como usar um manual de pilotar um avião para dirigir um caminhão.
  • Projetos novos vs. Velhos: Projetos mais novos tendem a dar mais instruções específicas para a IA ("Como você deve agir"). Projetos antigos tendem a focar mais em apenas listar as tecnologias usadas.

4. Por que isso importa para o futuro?

O estudo sugere que os criadores de ferramentas de IA (como o Cursor, GitHub Copilot, etc.) precisam melhorar.

  • Transparência: Os programadores precisam saber o que a IA já sabe. Se a IA já tem acesso ao código do projeto, não adianta escrever 50 linhas explicando o que é o projeto no manual. É desperdício de espaço.
  • Geradores Inteligentes: Em vez de o programador ter que escrever tudo do zero, a IA poderia criar o "Manual de Boas-Vindas" automaticamente, analisando o projeto e sugerindo as regras certas para aquele tipo de código.
  • Educação: Os programadores precisam aprender a "falar a língua" da IA. Não basta dar ordens; é preciso dar o contexto certo para que a IA não cometa erros bobos.

Resumo Final

Este estudo é como um "raio-x" de como os humanos estão ensinando as IAs a trabalhar em equipe. Eles descobriram que estamos fazendo um bom trabalho explicando o que o projeto é, mas ainda estamos aprendendo a ensinar à IA como pensar e agir dentro desse projeto. O futuro será de manuais mais inteligentes, menos cópias e mais treinamentos personalizados para cada máquina.