Nonequilibrium phase transitions in a racism-spreading model with interaction-driven dynamics

Este trabalho propõe um modelo de compartimentos de três estados, analisado em diferentes topologias de rede, para estudar as transições de fase entre estados de absorção sem racismo e uma fase ativa de conteúdo racista, demonstrando como ferramentas da física estatística podem elucidar as consequências macroscópicas das interações sociais microscópicas em ambientes digitais.

Nuno Crokidakis, Lucas Sigaud

Publicado 2026-03-12
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Imagine que o racismo na internet não é apenas uma "ideia ruim", mas sim como um vírus que se espalha, ou como uma fogueira que precisa de lenha (interações) para queimar. É exatamente essa a ideia central deste trabalho de pesquisa, feito por dois físicos brasileiros, Nuno Crokidakis e Lucas Sigaud.

Eles criaram um "simulador de realidade" (um modelo matemático) para entender como o racismo se espalha nas redes sociais e, mais importante, como podemos apagá-lo.

Aqui está a explicação do estudo, traduzida para uma linguagem do dia a dia:

1. O Cenário: Três Tipos de Pessoas na Internet

Para simplificar a complexidade da internet, os autores imaginaram que todas as pessoas online estão em um de três "times":

  • Os "Ingênuos" (Suscetíveis): São pessoas que ainda não foram expostas ao racismo ou não têm uma opinião formada. Elas são como folhas em branco. Se alguém falar mal delas, elas podem se tornar racistas. Se alguém as defender, elas podem se tornar defensoras.
  • Os "Propagadores" (Infectados): São os que já acreditam no racismo e espalham essa ideia. Eles são como a fogueira que queima e solta faíscas para os lados.
  • Os "Negadores" (Deniers): São os que já viram o racismo, mas rejeitaram a ideia. Eles são o "extintor de incêndio". Eles não só não espalham o ódio, como tentam apagar a chama quando veem alguém tentando espalhar. Uma vez que alguém se torna um "Negador", o modelo diz que essa pessoa nunca mais volta a ser racista (é um estado permanente).

2. Como a "Briga" Acontece (A Dinâmica)

O estudo diz que, nas redes sociais, as pessoas não mudam de ideia sozinhas (como se acordassem de manhã decidindo ser racistas). Elas mudam de ideia apenas quando interagem com outras pessoas.

  • Se um "Ingênuo" conversa com um "Propagador", ele pode virar um "Propagador" (o racismo pega).
  • Se um "Ingênuo" conversa com um "Negador", ele pode virar um "Negador" (o racismo é combatido).
  • Se um "Propagador" conversa com um "Negador", o "Negador" pode convencer o "Propagador" a mudar de lado e virar um "Negador" também.

Além disso, existe o fator "Renovação": Pessoas novas entram na rede (nascem ou começam a usar o app) sempre como "Ingênuas", e pessoas saem (morrem ou param de usar). Isso é importante porque traz sangue novo para o sistema.

3. O Grande Descoberta: O Ponto de Virada

Os pesquisadores testaram esse modelo em três tipos de "redes sociais" diferentes:

  1. Todos conversam com todos (como uma festa gigante onde todo mundo se conhece).
  2. Redes de "Influenciadores" (como o Instagram ou Twitter, onde alguns têm milhões de seguidores e a maioria tem poucos).
  3. Redes de "Vizinhança" (como o WhatsApp ou grupos de amigos, onde você fala muito com quem está perto e pouco com quem está longe).

Eles descobriram que existem três cenários possíveis para o futuro da internet:

  • Cenário A (O Silêncio Absoluto): O racismo desaparece completamente. Sobram apenas pessoas inocentes e defensoras. A fogueira apaga.
  • Cenário B (A Paz Relativa): O racismo some, mas sobram muitos defensores e pessoas inocentes. É um estado de "trégua".
  • Cenário C (O Caço Endêmico): O racismo se torna parte da paisagem. Ele nunca some, fica sempre lá, com uma porcentagem de pessoas espalhando ódio e outra defendendo. É como uma doença que nunca é erradicada.

4. O Segredo para Vencer (O Que a Ciência Diz)

A parte mais interessante é o que eles descobriram sobre como mudar de um cenário ruim para um bom:

  • A Velocidade de Atualização (Renovação): Se muitas pessoas novas entram na rede o tempo todo (alta taxa de renovação), o racismo tem mais dificuldade de se espalhar, porque as pessoas "novas" são limpas e não carregam o ódio antigo. É como se a internet estivesse sendo "lavada" constantemente.
  • O Poder dos "Influenciadores": Em redes onde existem pessoas muito famosas (hubs), se um influenciador espalha racismo, ele contagia milhares. Mas, se um influenciador se torna um "Negador" (defensor), ele pode salvar milhares de pessoas de uma vez. Atacar o ódio nos "centros" da rede é mais eficiente do que tentar mudar a opinião de pessoas aleatórias.
  • A Força da Resistência: Quanto mais forte for a capacidade dos "Negadores" de convencer os "Propagadores" a mudar de ideia, mais rápido o racismo desaparece.

5. A Analogia Final: O Jogo de "Pedra, Papel e Tesoura"

Imagine que a internet é um jogo de "Pedra, Papel e Tesoura":

  • O Racismo é a Pedra.
  • A Defesa (Negadores) é o Papel.
  • A Inocência é a Tesoura.

Se o "Papel" (os defensores) for forte o suficiente e estiver bem conectado, ele cobre a "Pedra" (o racismo) e a apaga. Mas se a "Pedra" tiver muitos "Influenciadores" (que são como pedras gigantes) e a rede for muito conectada, o racismo pode vencer e se tornar eterno.

Conclusão Simples

O estudo nos diz que não basta apenas proibir o racismo. Para vencer o ódio online, precisamos:

  1. Focar nos líderes: Fazer com que os influenciadores e pessoas com muitos seguidores se tornem defensores.
  2. Fortalecer a defesa: Incentivar as pessoas a se tornarem "Negadores" (defensores) rapidamente, para que elas atuem como extintores.
  3. Entender a estrutura: Saber que em redes onde todos se conhecem, o racismo se espalha de um jeito, e em redes de influenciadores, se espalha de outro. A estratégia de combate deve mudar dependendo do tipo de rede.

Em resumo: O racismo é como um incêndio. Se você tem muitos "bombeiros" (Negadores) bem posicionados e se foca em apagar as chamas nos prédios mais altos (influenciadores), você pode impedir que a cidade inteira pegue fogo.