Cultural Perspectives and Expectations for Generative AI: A Global Survey Approach

Este artigo apresenta os resultados de uma pesquisa global que analisa as atitudes e crenças sobre como a Inteligência Artificial Generativa deve representar culturas, propondo definições de cultura extraídas das próprias comunidades e recomendando abordagens participativas e um quadro de sensibilidade para lidar com limites culturais.

Erin van Liemt, Renee Shelby, Andrew Smart, Sinchana Kumbale, Richard Zhang, Neha Dixit, Qazi Mamunur Rashid, Jamila Smith-Loud

Publicado 2026-03-09
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Imagine que a Inteligência Artificial Generativa (GenAI) é como um chef de cozinha global muito talentoso, que promete cozinhar pratos para todo o mundo. O problema é que esse chef aprendeu a cozinhar quase exclusivamente lendo receitas em inglês de um único bairro (o "Ocidente"), e agora ele está tentando servir pratos para pessoas de 13 países diferentes, desde o Brasil até a Coreia do Sul.

Este artigo é como um grande jantar de degustação onde os pesquisadores perguntaram a milhares de pessoas: "O que significa 'cultura' para você?" e "O que você gostaria que esse chef nunca tentasse cozinhar?".

Aqui está o resumo da pesquisa, explicado de forma simples:

1. O Que é "Cultura" para as Pessoas?

Antes de pedir ao chef para cozinhar, eles precisavam saber o que as pessoas consideram o "tempero" da vida delas.

  • Na Europa: As pessoas pensaram em coisas tangíveis, como música, literatura, história e prédios famosos (como a Torre Eiffel). É como se a cultura fosse um museu.
  • Na Ásia: O foco foi mais em "quem somos" e "de onde viemos". Falaram muito em ancestrais, nação e herança. É como se a cultura fosse uma árvore genealógica gigante.
  • Na África: A cultura foi descrita como um "modo de vida completo". Não é apenas o que você come, mas como você se comporta, pensa e vive. É como se a cultura fosse o ar que respiramos.

A Lição: Não existe uma única definição de cultura. O que é importante para um alemão pode não ser o que é mais sagrado para um nigeriano.

2. O Que é "Perigoso" para a IA? (As Linhas Vermelhas)

Aqui está a parte mais importante. Os pesquisadores perguntaram: "O que a IA NUNCA deveria tentar gerar?".

  • O Grande Consenso: Em quase todos os países, a Religião e as Tradições foram as coisas mais sensíveis. As pessoas querem que a IA respeite orações, rituais sagrados e símbolos religiosos. É como se a IA fosse um visitante em uma casa de oração: ela pode olhar, mas não deve tocar nos altares ou tentar mudar os rituais.
  • Outras Linhas Vermelhas:
    • Traumas Históricos: Na Alemanha e nos EUA, as pessoas disseram que a IA não deve gerar imagens de eventos como o Holocausto ou a escravidão. É como tentar reescrever uma ferida aberta; a IA não tem a sensibilidade para lidar com a dor.
    • Identidade Pessoal: Em alguns lugares, como a Coreia do Sul, a saúde e o local onde você mora são muito sensíveis.
    • O "Não" Absoluto: Muitos disseram que a IA nunca deveria gerar imagens de pessoas reais em situações sagradas, pois isso pode criar "fakes" (mentiras) que ofendem a dignidade humana.

3. A Familiaridade com a Tecnologia

A maioria das pessoas conhece a IA, mas nem todos confiam nela para contar a história da sua cultura.

  • O Medo Principal: O maior medo não é a IA não saber fazer algo, mas sim fazer algo errado ou estereotipado. As pessoas temem que a IA pegue um símbolo sagrado e o transforme em um meme ou em algo comercial, sem entender o significado profundo.
  • A Diferença: Quem usa muito a IA (como na Coreia do Sul e nos Emirados Árabes) tem opiniões mais fortes sobre onde traçar as linhas do que quem nunca ouviu falar nela.

4. O Que os Pesquisadores Sugerem? (As Regras do Jogo)

Para evitar que o "chef de IA" estrague o prato cultural, os autores dão quatro conselhos principais:

  1. Ouça as Pessoas (Consciência): Não assuma que você sabe o que é cultura. Faça perguntas! Use pesquisas para entender o que é importante para cada grupo antes de treinar a IA.
  2. Deixe as Pessoas Participarem (Participação): Em vez de apenas analisar dados da internet (que são cheios de preconceitos), convide líderes comunitários, religiosos e especialistas locais para ajudar a "apontar" a IA. É como pedir para o dono da receita original ensinar o chef.
  3. Não Use "Tamanho Único" (Multifacetado): A IA não pode ter as mesmas regras para todo o mundo. O que é seguro para gerar na França pode ser ofensivo no Japão. A IA precisa ter um "mapa de sensibilidade" que muda dependendo de onde o usuário está.
  4. Crie Níveis de Proteção (Nuance):
    • Nível 1 (Proibido): Coisas sagradas (orações, rituais). A IA não deve gerar nada aqui. É como uma área de "Nada a Ver".
    • Nível 2 (Precisão Total): Coisas históricas ou religiosas importantes. Se a IA for gerar algo, ela precisa ter certeza absoluta de que está correto, usando fontes confiáveis, para não inventar mentiras.

Conclusão

Este estudo nos diz que a tecnologia avança rápido, mas a cultura é lenta e profunda. Para que a Inteligência Artificial seja realmente global e respeitosa, ela precisa parar de tratar a cultura como um "pacote de dados" e começar a tratá-la como uma conversa respeitosa com milhões de pessoas diferentes.

Se a IA quiser ser um bom anfitrião para o mundo, ela precisa aprender que, em algumas mesas, certos pratos simplesmente não devem ser servidos, e outros devem ser servidos com o máximo de cuidado e respeito.