Simon's model does not produce Zipf's law: The fundamental rich-get-richer mechanism for any power-law size ranking

Este artigo demonstra que o modelo clássico de Simon falha ao explicar a Lei de Zipf, propondo em seu lugar uma taxa de inovação dependente do tempo que decai como o inverso do logaritmo do número de tipos, corrigindo assim a dinâmica de "quem tem mais, ganha mais" para sistemas complexos.

Pablo Rosillo-Rodes, Julia Witte Zimmerman, Laurent Hébert-Dufresne, Peter Sheridan Dodds

Publicado 2026-04-16
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Imagine que você está organizando uma grande festa onde as pessoas chegam e se juntam a grupos. Alguns grupos são gigantes (como a turma do futebol), outros são médios (o clube de xadrez) e muitos são apenas duas ou três pessoas conversando num canto.

A Lei de Zipf é uma regra misteriosa que diz que, em quase tudo na vida (palavras num livro, tamanho de cidades, tamanho de empresas), existe um padrão: quanto mais popular algo é, mais popular ele tende a ficar. É o famoso "quem tem, ganha mais".

Por décadas, os cientistas acreditaram que um modelo criado por um cara chamado Herbert Simon em 1955 explicava perfeitamente como isso funcionava. A ideia dele era simples:

  1. A cada passo, ou você cria algo novo (uma nova palavra, uma nova cidade).
  2. Ou você escolhe algo já existente para crescer, e a chance de escolher é proporcional ao tamanho que ele já tem (o rico fica mais rico).

O Problema: A "Fuga" do Modelo de Simon

O problema é que o modelo de Simon tinha um defeito fatal, como um carro que funciona bem na estrada, mas explode quando você tenta entrar na garagem.

Quando os cientistas tentaram usar o modelo de Simon para explicar o caso mais famoso de todos (onde o tamanho cai exatamente na proporção inversa ao ranking, o famoso Zipf's Law), o modelo falhou miseravelmente.

A analogia do "Primeiro a Chegar":
Imagine que a festa começou. A primeira pessoa chega e forma um grupo de 1. Se o modelo de Simon fosse perfeito, esse grupo cresceria de forma equilibrada. Mas, na verdade, o modelo de Simon diz que, se a chance de criar algo novo for muito baixa (quase zero), o primeiro grupo vai engolir tudo. Ele fica gigantesco, e todos os outros grupos ficam minúsculos. É como se o primeiro convidado tivesse comprado a festa inteira e os outros só pudessem ficar de olho.

O modelo de Simon previa que, para ter a Lei de Zipf, a chance de criar algo novo deveria ser zero. Mas, se for zero, o resultado é um "vencedor leva tudo", e não a distribuição equilibrada que vemos no mundo real.

A Solução: O Ritmo da Inovação

Os autores deste novo paper (Rosillo-Rodes e colegas) descobriram que o segredo não é a chance de criar algo novo ser constante, mas sim mudar com o tempo.

Eles propõem uma nova regra para a "taxa de inovação" (a chance de criar algo novo):

  • No início da festa: A inovação é alta. Todo mundo está criando coisas novas, grupos pequenos surgem.
  • Conforme a festa cresce: A chance de criar algo novo diminui, mas não desaparece. Ela diminui de uma forma muito específica: conforme o número de grupos (tipos) aumenta, a chance de criar um novo grupo cai lentamente, como o inverso do logaritmo do número de grupos.

A Metáfora do "Fio de Prata":
Pense na inovação como um fio de prata que vai ficando mais fino conforme o tempo passa.

  • No modelo antigo (Simon), o fio era grosso no início e, quando você tentava chegar ao ponto da Lei de Zipf, o fio se partia de repente, deixando apenas um grupo gigante.
  • No novo modelo, o fio fica cada vez mais fino, mas nunca se parte. Ele se torna tão fino que é difícil criar algo novo, mas ainda é possível. É esse fio quase invisível que mantém o equilíbrio perfeito, permitindo que a Lei de Zipf exista.

O Que Eles Provaram

  1. Correção Matemática: Eles criaram uma fórmula matemática que ajusta essa "taxa de inovação" dinamicamente. Com essa fórmula, o modelo consegue gerar qualquer tipo de distribuição de tamanhos, desde o "vencedor leva tudo" até a Lei de Zipf perfeita e além.
  2. Teste na Vida Real: Eles pegaram 8 livros famosos (como Dom Quixote, Frankenstein, Ulysses) e testaram a frequência das palavras.
    • O modelo de Simon falhou em prever a distribuição real das palavras.
    • O novo modelo deles acertou em cheio, seguindo a curva real dos livros.

Resumo em Linguagem de Boteco

Imagine que o universo é um jogo de "quem tem, ganha mais".

  • O Modelo Velho (Simon): Dizia que, para ter equilíbrio, você precisava parar de inventar coisas novas. Mas, se você parasse de inventar, o primeiro jogador ganharia tudo e o jogo ficaria chato e injusto.
  • O Modelo Novo: Descobriu que o segredo é não parar de inventar, mas inventar cada vez mais devagar, de forma calculada. É como se o universo dissesse: "Vou criar coisas novas, mas vou deixar o ritmo cair tão devagar que o primeiro lugar nunca engole os outros, mantendo a beleza da Lei de Zipf".

Conclusão:
Este paper é importante porque conserta a teoria mais famosa sobre como as coisas crescem e se organizam. Ele nos diz que a "inovação" não é um botão que fica ligado ou desligado; é um ritmo que precisa ser ajustado dinamicamente para que o mundo (seja em palavras, cidades ou empresas) mantenha aquele equilíbrio mágico que vemos por toda parte.

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