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Imagine que o universo, logo após o Big Bang, era como uma grande festa cheia de dois tipos de convidados muito diferentes: a Radiação (partículas de luz, muito rápidas e agitadas) e a Matéria Escura (partículas pesadas e lentas).
Neste artigo, os cientistas Hermano Velten e William Iania investigam uma pergunta curiosa: E se esses dois grupos de convidados começassem a conversar e se misturar antes de se separarem?
Aqui está a explicação do que eles descobriram, usando analogias do dia a dia:
1. A Ideia Central: O "Atrito" Cósmico
Normalmente, pensamos na Radiação e na Matéria Escura como se fossem dois líquidos que não se misturam, cada um seguindo seu próprio ritmo. Mas, e se eles se tocassem e tentassem chegar a um mesmo "nível de temperatura" (equilíbrio térmico)?
Quando dois fluidos com comportamentos diferentes tentam se equilibrar, eles criam um tipo de atrito interno. Na física, isso se chama Viscosidade de Volume.
- A Analogia: Imagine tentar misturar mel (lento e grosso) com água (rápido e fluido) em um balde. Se você tentar fazê-los se moverem juntos, o mel vai "atrapalhar" o movimento da água, criando uma resistência. Essa resistência é a viscosidade.
- No universo, essa "viscosidade" atuaria como um empurrão extra na expansão do cosmos, especialmente numa época chamada "igualdade matéria-radiação" (quando a quantidade de matéria e luz era a mesma).
2. O Problema que eles queriam resolver: A Tensão de Hubble
Os astrônomos têm um problema: eles medem a velocidade de expansão do universo de duas formas e obtêm resultados diferentes.
- Medida 1 (Universo antigo): Olhando para a luz mais antiga (CMB), o universo parece estar expandindo mais devagar.
- Medida 2 (Universo recente): Olhando para estrelas e galáxias próximas, o universo parece estar expandindo mais rápido.
Essa diferença é chamada de "Tensão de Hubble".
A teoria anterior (de um estudo de 2021) sugeriu que, se essa "viscosidade" existisse, ela poderia empurrar o universo a se expandir mais rápido no início, resolvendo essa tensão e fazendo as duas medidas combinarem. Seria como se a viscosidade fosse um "turbo" escondido.
3. A Investigação: O Novo "Régua" Cósmica (DESI DR2)
Para testar se esse "turbo" realmente existe, os autores usaram dados muito recentes e precisos do projeto DESI (Dark Energy Spectroscopic Instrument).
- A Analogia: Imagine que o universo tem ondas sonoras congeladas no tempo (chamadas Oscilações Acústicas Bariônicas). Essas ondas deixaram uma "pegada" na distribuição das galáxias, como se fosse uma régua cósmica padrão.
- O DESI mediu essa "régua" com uma precisão incrível. Se o "turbo" da viscosidade existisse, ele teria distorcido o tamanho dessa régua de uma maneira específica.
4. O Veredito: O Turbo Não Funciona
Os cientistas colocaram os dados do DESI na equação e olharam para o resultado.
- O que eles esperavam: Se a viscosidade existisse com a força necessária para resolver a Tensão de Hubble, os dados do DESI mostrariam uma distorção clara na "régua".
- O que eles encontraram: Os dados não mostraram essa distorção. A "régua" está perfeita, exatamente como o modelo padrão (sem viscosidade) prevê.
A Conclusão:
A viscosidade que eles estavam procurando é tão pequena que é praticamente inexistente.
- Eles calcularam que, para que os dados do DESI fizessem sentido, o tempo que levaria para essa "mistura" acontecer tem que ser incrivelmente rápido (menos de um bilionésimo de bilionésimo de segundo).
- Se fosse mais lento, teríamos visto os efeitos nos dados. Como não vimos, essa interação entre matéria escura e radiação não aconteceu (ou foi insignificante).
Resumo Final
Imagine que você tentou consertar um relógio que estava atrasando (a Tensão de Hubble) adicionando uma mola extra (a viscosidade).
Os autores pegaram uma foto de altíssima resolução desse relógio (os dados do DESI) e disseram: "Não, essa mola não está lá. Se ela estivesse, o relógio teria um formato diferente na foto."
Portanto, essa teoria específica de "viscosidade cósmica" não consegue resolver o mistério da velocidade de expansão do universo. O modelo padrão, sem esse "turbo" extra, continua sendo o que melhor se encaixa com a realidade observada hoje.