Structural reductions of Auditory–Temporoparietal Association Cortex in Cannabis Users: Relevance to Neural Systems Implicated in Auditory Hallucinations
Utilizando dados do Human Connectome Project, este estudo demonstra que o uso de cannabis está associado ao afinamento cortical significativo nas regiões auditivas-temporoparietais bilaterais e ao aumento da tomada de decisão impulsiva, sugerindo que as alterações estruturais induzidas pela cannabis em sistemas neurais críticos para o processamento auditivo e integração multissensorial podem contribuir para a vulnerabilidade a alucinações auditivas e psicose.
Artigo original sob licença CC BY 4.0 (https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/). Esta é uma explicação gerada por IA de um preprint que não foi revisado por pares. Não é aconselhamento médico. Não tome decisões de saúde com base neste conteúdo. Ler aviso legal completo
O cérebro humano é um mestre da previsão. Ele constrói constantemente um modelo do mundo, antecipando o que veremos, ouviremos e sentiremos em seguida. Quando falamos conosco internamente, o cérebro envia um sinal ao sistema auditivo dizendo: "Eu sou quem está produzindo este som", o que nos permite reconhecer nossos próprios pensamentos como sendo nossos e não vozes vindas de fora. Essa capacidade de distinguir entre experiências geradas pelo próprio eu e a realidade externa é um processo delicado. Quando esse sistema falha, uma pessoa pode ouvir vozes que não têm uma fonte externa, um sintoma conhecido como alucinação auditiva. Essas experiências são uma marca registrada de transtornos psicóticos, como a esquizofrenia, mas também podem ocorrer em pessoas sem uma doença diagnosticada. Cientistas sabem há muito tempo que o uso de cannabis aumenta o risco de desenvolver psicose, mas as mudanças biológicas específicas no cérebro que ligam a droga a essas alucinações permaneceram, de certa forma, um mistério.
Um novo estudo realizado por pesquisadores da Universidade do Texas Rio Grande Valley examinou mais de perto essa conexão, examinando a estrutura física dos cérebros de pessoas que utilizam cannabis. A equipe focou em uma rede específica de regiões cerebrais que são críticas para a audição, compreensão da linguagem e integração de informações sensoriais. Essas áreas, localizadas nas laterais do cérebro, atuam como um centro de processamento onde o som é combinado com contexto e memória. Os pesquisadores hipotetizaram que, se o uso de cannabis contribui para o risco de ouvir vozes, isso poderia deixar uma marca visível na espessura do tecido nessas regiões específicas. Ao comparar os exames cerebrais de usuários de cannabis com os de não usuários, o estudo visava ver se a droga estava associada a um afinamento desses circuitos neurais cruciais e se essa mudança física estava ligada à forma como as pessoas tomam decisões sobre recompensas.
Para investigar isso, os pesquisadores analisaram dados do Human Connectome Project, um banco de dados massivo de exames cerebrais e testes comportamentais de adultos saudáveis. Eles identificaram 330 indivíduos que haviam usado cannabis pelo menos três vezes em suas vidas e os combinaram perfeitamente com 330 não usuários com base em idade e sexo. Esse emparelhamento cuidadoso garantiu que quaisquer diferenças encontradas fossem provavelmente devidas ao uso de cannabis, e não a outros fatores como idade ou gênero. Usando exames de ressonância magnética de alta resolução, a equipe mediu a espessura do córtex — a camada externa do cérebro — em cinco áreas principais conhecidas por estarem envolvidas na audição e linguagem: o giro temporal superior, o giro de Heschl, os bancos do sulco temporal superior, o giro supramarginal e o giro angular. Eles também observaram como esses indivíduos se saíram em uma tarefa projetada para medir a impulsividade, especificamente sua disposição de esperar por uma recompensa maior mais tarde versus aceitar uma recompensa menor imediatamente.
Os resultados revelaram um padrão claro de mudança estrutural. Os cérebros dos usuários de cannabis mostraram um tecido significativamente mais fino em quase todas as regiões auditivas e relacionadas à linguagem examinadas. Esse afinamento foi observado em ambos os lados do cérebro no giro temporal superior, no giro angular e no giro supramarginal. Também foi encontrado nos bancos do sulco temporal superior e no lado direito do giro de Heschl, que é a área primária para o processamento do som. As diferenças foram consistentes e mensuráveis, sendo o afinamento mais pronunciado no giro supramarginal e nos bancos do sulco temporal superior. Importante destacar que o estudo descobriu que esse afinamento era específico à espessura do próprio tecido, não ao tamanho total das regiões cerebrais, sugerindo uma mudança na estrutura microscópica das camadas do cérebro em vez de uma perda da região como um todo.
Junto com essas mudanças físicas, os usuários de cannabis também exibiram uma tendência comportamental à impaciência. Diante de escolhas entre uma recompensa imediata menor e uma recompensa tardia maior, os usuários eram mais propensos a escolher a opção imediata, um comportamento conhecido como desconto de atraso mais acentuado. Embora essa diferença fosse uma tendência, e não uma divisão estatística massiva, ela se alinhava aos achados físicos. Os pesquisadores também descobriram um vínculo entre a estrutura cerebral e esse comportamento: tanto em usuários quanto em não usuários, um giro de Heschl direito mais espesso estava associado a uma maior capacidade de esperar por uma recompensa maior. Isso sugere que a integridade física do córtex auditivo primário pode desempenar um papel na forma como o cérebro valoriza resultados futuros, conectando a capacidade de processar o som com a capacidade de exercer autocontrole.
O estudo também observou como essas mudanças podem evoluir ao longo do tempo. Entre os usuários de cannabis, indivíduos mais velhos mostraram um afinamento mais rápido no giro supramarginal direito e nos bancos do sulco temporal superior direito em comparação com não usuários da mesma idade. Isso sugere que os efeitos do uso de cannabis nessas regiões cerebrais específicas podem se acumular com a idade, potencialmente tornando o cérebro mais vulnerável aos tipos de erros de percepção que levam às alucinações. Os pesquisadores observaram que a idade em que a pessoa começou a usar cannabis não mostrou um vínculo significativo com essas mudanças estruturais neste grupo específico, provavelmente porque o estudo não incluiu pessoas suficientes que começaram a usar a droga como adolescentes muito jovens.
Essas descobertas apoiam a ideia de que o uso de cannabis pode alterar a maquinaria preditiva do cérebro. As regiões que apresentaram afinamento são essentes para distinguir entre o que geramos internamente e o que vem do mundo exterior. Se o tecido nessas áreas se torna mais fino, a capacidade do cérebro de prever e suprimir sons autogerados pode ser comprometida, potencialmente levando à atribuição errônea de pensamentos internos como vozes externas. O fato de que essas mudanças estruturais também estão ligadas à tomada de decisão impulsiva sugere uma interrupção mais ampla na forma como o cérebro atribui importância a diferentes sinais, um mecanismo que é central tanto para a dependência quanto para a psicose.
Embora o estudo forneça evidências fortes de uma associação, os pesquisadores ressaltam cuidadosamente que ele não pode provar que a cannabis causa o afinamento ou o aumento do risco de alucinações. É possível que pessoas com córtexes auditivos naturalmente mais finos sejam mais propensas a começar a usar cannabis, ou que outros fatores desempenhem um papel. Além disso, o estudo baseou-se no relato de uso e não levou em conta a potência da cannabis ou o quão recente foi o uso. No entanto, a consistência dos achados em uma amostra grande e bem pareada oferece um vislumbre convincente da neurobiologia do risco de psicose. O estudo sugere que, mesmo em pessoas sem um diagnóstico de doença mental, o uso de cannabis está ligado a mudanças mensuráveis nas redes auditivas e de linguagem do cérebro, mudanças que espelham aquelas observadas na psicose clínica. Isso aponta para um potencial caminho biológico onde a droga pode corroer a capacidade do cérebro de distinguir a realidade da imaginação, um processo que pode ser exacerbado pela idade e pelo uso repetido.
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