Anthropogenic fibers contamination in the Antarctic sea urchin Sterechinus neumayeri and the scallop Adamussium colbecki from Terra Nova Bay, Ross Sea
Este estudo revela que microfibras antropogênicas, primariamente de algodão, são onipresentes em invertebrados bentônicos antárticos da Baía de Terra Nova, com vieiras filtradoras acumulando abundâncias mais elevadas do que ouriços-do-mar detritívoros, destacando como as estratégias de alimentação influenciam as vias de exposição mesmo dentro da região protegida do Mar de Ross.
Artigo original sob licença CC BY 4.0 (https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/). Esta é uma explicação gerada por IA de um preprint que não foi revisado por pares. Não é aconselhamento médico. Não tome decisões de saúde com base neste conteúdo. Ler aviso legal completo
Mesmo os cantos mais remotos do nosso planeta já não estão imunes ao alcance da indústria humana. Durante décadas, o Mar de Ross, na Antártida, foi visto como um santuário prístino, uma vasta extensão gelada protegida pelo seu isolamento e pelo manto sazonal de gelo marinho que o protege do mundo. É a maior Área Marinha Protegida da Terra, um lugar onde a natureza deveria operar sem interferência. No entanto, uma invasão silenciosa tem ocorrido sob as ondas. Pequenos fragmentos de materiais feitos pelo homem, conhecidos como microplásticos, derivaram milhares de quilômetros para se depositarem nestas águas frias. Entre estes fragmentos, os mais comuns são as microfibras — fios microscópicos desprendidos de roupas, cordas e têxteis. Estas fibras são tão pequenas que podem passar pelos sistemas de filtragem de água e viajar através do ar, acabando por afundar no oceano profundo, onde se tornam parte da teia alimentar. Os cientistas há muito suspeitavam que estas partículas invisíveis estavam a acumular-se nos seres que vivem no fundo do mar, mas a extensão do problema numa região tão remota e protegida permanecia incerta.
Para compreender como estas fibras estão a entrar no ecossistema antártico, os investigadores voltaram a atenção para dois animais muito diferentes que vivem no fundo do oceano perto da Baía de Terra Nova. Eles escolheram a vieira antártica, uma criatura que filtra a água para se alimentar, e o ouriço-do-mar antártico, que raspa o fundo do mar para se alimentar. Estas duas espécies atuam como sentinelas naturais, oferecendo um vislumbre de como a poluição se move através do ambiente. A vieira, Adamussium colbecki, bombeia grandes volumes de água através das suas guelras, retendo pequenas partículas suspensas na corrente. O ouriço-do-mar, Sterechinus neumayeri, move-se lentamente pelo sedimento, pastando a matéria orgânica que se depositou no fundo. Ao estudar ambos, os cientistas puderam comparar como a poluição chega aos animais que comem a partir da água versus aqueles que comem a partir do solo.
A equipa recolheu estes animais durante uma expedição de investigação em 2019 e 2020, retirando-os cuidadosamente de uma profundidade de 150 metros. De volta ao laboratório, processaram os tecidos moles dos animais, dissolvendo o material biológico para revelar quaisquer fibras estranhas que pudessem estar presas no interior. Os resultados foram impressionantes: todos os animais examinados, desde as vieiras até aos ouriços-do-mar, continham estas fibras sintéticas. Não havia escapatória para eles; a contaminação era universal dentro do grupo estudado. Em média, cada vieira continha cerca de cinco a seis fibras, enquanto cada ouriço-do-mar continha aproximadamente duas a três. Quando os investigadores observaram as próprias fibras, notaram uma diferença clara de tamanho. As fibras encontradas dentro das vieiras eram significativamente mais longas do que as dos ouriços-do-mar. Isto sugere que a forma como um animal se alimenta altera o que engole. A vieira, ao filtrar a água, tende a capturar fios mais longos que flutuam livremente. O ouriço-do-mar, ao raspar o fundo, parece encontrar fibras que já foram quebradas ou fragmentadas no momento em que chegam ao sedimento.
As cores das fibras ofereceram pistas adicionais. Nos ouriços-do-mar, as fibras azuis eram as mais comuns, seguidas pelas pretas. Nas vieiras, as fibras pretas predominavam, embora as azuis, vermelhas e verdes também estivessem presentes. Para identificar exatamente do que eram feitas estas fibras, os investigadores utilizaram um microscópio especializado que analisa a composição química dos materiais. Descobriram que as fibras eram primariamente algodão, um material natural frequentemente usado em vestuário e têxteis. Esta descoberta alinha-se com os tipos de materiais usados pelos investigadores e pessoal de apoio na estação científica próxima, bem como com os padrões globais de resíduos têxteis que viajam através dos oceanos e da atmosfera. Embora o equipamento e a roupa da estação contenham uma mistura de materiais sintéticos e naturais, a prevalência de algodão nos animais sugere que as fibras naturais, muitas vezes negligenciadas em estudos de poluição, são um componente importante dos resíduos que chegam à Antártida.
O estudo destaca uma realidade crítica: mesmo num lugar tão isolado como o Mar de Ross, a atividade humana deixa um rasto. A quantidade de fibras encontradas nos ouriços-do-mar antárticos é comparável aos níveis encontrados em ouriços-do-mar que vivem em áreas altamente povoadas e urbanizadas do Mar Mediterrâneo. Esta semelhança não é uma coincidência, mas um sinal de quão pervasivos estes poluentes se tornaram. As fibras não ficam num só lugar; elas movem-se, depositam-se e são comidas por criaturas na base da cadeia alimentar. O facto de estes animais, que desempenham um papel fundamental na saúde do ecossistema antártico, estarem a ingerir estas partículas sugere que toda a teia alimentar está em risco. O estudo não afirma ter resolvido o problema da poluição por plástico, mas fornece um quadro claro e concreto de como esta chegou a um dos últimos grandes desertos naturais da Terra. Mostra que a fronteira entre o prístino e o poluído é mais ténue do que pensávamos, e que as escolhas que fazemos com as nossas roupas e resíduos têm consequências que alcançam o próprio fundo do oceano.
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