Remote sensing and Community perception evidences on the Impacts of land use/cover change on natural resources in Rungwe Volcanic Province in Tanzania
Este estudo combina dados de sensoriamento remoto e questionários comunitários para revelar que o rápido crescimento populacional e a expansão agrícola na Província Vulcânica de Rungwe, na Tanzânia, estão impulsionando mudanças significativas no uso da terra que degradam florestas, alteram níveis de água e reduzem o rendimento das colheitas, necessitando de gestão de ecossistemas e planejamento do uso da terra urgentes.
Artigo original sob licença CC BY 4.0 (https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/). Esta é uma explicação gerada por IA do artigo abaixo. Não foi escrita nem endossada pelos autores. Para precisão técnica, consulte o artigo original. Ler aviso legal completo
Nas terras altas do sul da Tanzânia, a terra conta a história de dois mundos colidindo. De um lado, erguem-se as encostas antigas e íngremes da Província Vulcânica de Rungwe, uma região definida por seu solo vulcânico rico e o ar fresco da montanha. Do outro, estende-se a vasta e quente amplitude do Lago Nyasa, um enorme corpo de água que faz fronteira com a Tanzânia e o Malawi. Durante séculos, estas duas paisagens estiveram ligadas por um delicado sistema natural: a chuva cai nas montanhas altas, infiltrando-se na terra para alimentar rios que fluem até ao lago, enquanto o próprio lago envia humidade de volta para as colinas. Este ciclo sustenta tudo, desde as florestas que se agarram às encostas até às explorações agrícolas que alimentam as populações locais. No entanto, este equilíbrio é frágil. Quando as pessoas desmatam florestas para plantar culturas ou construir casas, alteram a forma como a água se move através da terra. Este processo, conhecido como mudança no uso do solo, pode transformar um fluxo constante de água num flash flood (inundação repentina) ou num leito de rio seco, ameaçando tanto os alimentos que as pessoas cultivam como a segurança das suas comunidades. Compreender como a atividade humana remodela estas paisagens é crucial para qualquer pessoa que viva ou visite tais regiões, pois as decisões tomadas numa encosta hoje podem determinar se uma aldeia sofre uma inundação ou seca amanhã.
Um estudo recente dos investigadores Benard Mwakisunga e Hance Njobelo traz esta história para um foco nítido para a Província Vulcânica de Rungwe, que inclui os distritos de Rungwe, Busokelo e Kyela. A equipa combinou duas formas muito diferentes de ver o mundo: olharam para o solo através dos olhos das pessoas que lá vivem e olharam para a mesma terra a partir do espaço, utilizando imagens de satélite captadas ao longo de trinta anos. Ao comparar o que a comunidade recorda com o que os satélites mostram, os investigadores construíram um quadro claro de como a paisagem se transformou. Descobriram que a área está a mudar rapidamente, impulsionada por uma população crescente e uma mudança no que as pessoas escolhem cultivar. A população está a aumentar devido tanto às altas taxas de natalidade como a um fluxo constante de novos residentes vindos de regiões e países vizinhos. Estes recém-chegados são atraídos pela promessa de cultivar culturas específicas, como abacates e batata doce (Irish potatoes) nas terras altas, e arroz, cacau e palma nas terras baixas, perto do lago.
À medida que mais pessoas chegam e mais terra é necessária para agricultura e habitação, a cobertura natural da região está a desaparecer. Os investigadores observaram que as florestas, que outrora eram usadas para lenha e necessidades comunitárias tradicionais, estão agora a ser cortadas para dar lugar a campos de cultivo e produção de carvão. Nas zonas altas, as densas florestas fechadas encolheram dramaticamente, sendo substituídas por bosques abertos e campos de culturas. Nas terras baixas, pântanos permanentes e pastagens estão a ser convertidos em terras agrícolas. Esta transformação não é apenas uma mudança de cenário; está a alterar a própria forma como a água se move através da província. O estudo revela um padrão preocupante onde os rios que descem das montanhas estão a perder água, enquanto o lago na base está a receber demasiado sedimento.
Os membros da comunidade entrevistados para o estudo confirmaram estas mudanças com as suas próprias observações. Nas terras altas e médias, setenta e cinco por cento das pessoas relataram que os níveis de água nos seus rios locais estão a baixar. Atribuem isto à remoção de árvores e ao plantio de culturas mesmo junto às margens dos rios, o que deixa o solo exposto à erosão. Quando chove, o solo solto é arrastado, entupindo os leitos dos rios e reduzindo a quantidade de água que pode infiltrar-se no solo para recarregar os aquíferos subterrâneos. Em contraste, as pessoas que vivem perto das terras baixas e das margens do Lago Nyasa relatam que o nível de água do lago está a subir. Este aumento não se deve a mais chuva a cair diretamente sobre o lago, mas sim porque os rios estão a carregar uma carga pesada de lama e silte das colinas erodidas acima. Este sedimento preenche o lago, elevando o nível da água e fazendo com que esta se espalhe sobre as terras onde as pessoas vivem e cultivam.
O impacto na agricultura é misto e depende de onde o agricultor se localiza. Nas zonas baixas, o rendimento das colheitas está a cair. Os agricultores culpam o declínio na má qualidade do solo, chuvas imprevisíveis e longos períodos de seca. O solo, desprovido dos seus nutrientes naturais e coberto por sedimento, tem dificuldade em sustentar as culturas. No entanto, nas zonas médias e altas, alguns agricultores relatam que as suas colheitas estão, na verdade, a aumentar. Isto deve-se, em grande parte, ao facto de terem mudado para novas culturas de alto valor, como o cacau e o abacate, e estarem a utilizar fertilizantes e pesticidas para impulsionar a produção. Contudo, este sucesso traz os seus próprios riscos. O uso crescente de produtos químicos ameaça a saúde dos rios e do lago, enquanto a mudança das culturas tradicionais e diversas torna o sistema agrícola mais vulnerável a pragas e mudanças de mercado.
Os investigadores também notaram que o ritmo desta mudança não é o mesmo em todo o lado. Os distritos de Kyela e Rungwe experimentaram as mudanças mais dramáticas na cobertura do solo, com florestas e zonas húmidas a darem lugar a campos agrícolas e assentamentos a um ritmo mais rápido do que em Busokelo. As imagens de satélite, que monitorizaram a terra a cada dez anos de 2000 a 2020, mostram uma tendência clara: os bosques fechados estão a desaparecer e as áreas de cultivo misto e desenvolvimento urbano estão a expandir-se. Esta expansão é impulsionada pela necessidade de alimentar uma população crescente e pelo apelo económico das culturas de rendimento. O estudo conclui que, embora a comunidade se esteja a adaptar a estas mudanças, o caminho atual é insustentável. A perda de florestas e a degradação das margens dos rios estão a causar inundações mais frequentes nas terras baixas e a secar os rios nas terras altas. Para proteger o futuro da região, os autores sugerem que a comunidade precisa de ser mais consciente de como o seu uso do solo afeta todo o ecossistema. Eles apelam para um melhor planeamento para gerir a terra e uma compreensão mais profunda de como os rios e lagos respondem às mudanças que ocorrem nas colinas acima.
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