Assessing the potential ecological functions, including ecosystem services and disservices, of megaherbivore rewilding in traditional rural wood-pastures.
Este estudo avalia o potencial ecológico e as compensações socioeconômicas da reintrodução de assembleias diversas de megaherbívoros em pastagens arborizadas italianas, concluindo que, embora tal rewilding possa aumentar significativamente a diversidade funcional e mitigar o avanço arbustivo — particularmente em regiões mediterrâneas —, ele requer uma governança participativa e dependente do contexto para equilibrar a restauração de ecossistemas com a gestão de desserviços associados, como danos a cultivos e conflitos entre humanos e vida selvagem.
Artigo original sob licença CC BY 4.0 (https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/). Esta é uma explicação gerada por IA de um preprint que não foi revisado por pares. Não é aconselhamento médico. Não tome decisões de saúde com base neste conteúdo. Ler aviso legal completo
Em muitas partes da Europa, o campo está a mudar. Durante séculos, bosques abertos pontuados por erva e árvores dispersas foram mantidos dessa forma por uma mistura de animais selvagens a pastar e agricultores a conduzir gado. Estas paisagens, conhecidas como pastagens arborizadas, são ricas em vida e detêm um profundo valor cultural. Mas à medida que os rebanhos selvagens desapareceram e a agricultura tradicional declinou, estas áreas começaram a preencher-se com arbustos e árvores densos, perdendo o seu caráter aberto e as espécies únicas que delas dependem. Para corrigir isto, alguns conservacionistas propõem o "re-selvagemento" (rewilding): trazer de volta grandes herbívoros selvagens para restaurar a perturbação natural que mantém a paisagem aberta. A ideia é que estes animais, ao comerem plantas e pisarem o solo, possam substituir o trabalho que antes era feito tanto por feras selvagens como por pastores humanos. No entanto, reintroduzir animais massivos em paisagens modernas, dominadas pelo homem, não é uma solução simples. Levanta questões complexas sobre se os animais certos estão a ser escolhidos, se ajudarão ou prejudicarão habitats específicos e como as comunidades locais lidarão com as mudanças.
Um novo estudo focou-se em Itália para testar estas ideias. Os investigadores começaram por olhar profundamente no passado, examinando registos fósseis do período do início do Holoceno, aproximadamente há 12.000 a 6.000 anos, antes de a agricultura transformar a terra. Utilizaram este vislumbre antigo para identificar quais os grandes herbívoros que outrora viviam ali e que poderiam servir de guia para a restauração. Descobriram que, embora a Itália tenha atualmente alguns herbívoros selvagens, como o veado vermelho e o javali, a paisagem antiga suportava uma comunidade muito mais rica. Este grupo potencial incluía dez espécies, algumas das quais estão agora extintas na natureza, tais como o uro (aurochs, o ancestral selvagem do gado), o cavalo selvagem, o asno selvagem europeu e o alce. A equipa comparou depois os grupos de animais atuais com esta versão antiga e idealizada através de três regiões diferentes de Itália: os Alpes, as planícies continentais e o sul mediterrânico.
Os investigadores descobriram que trazer de volta estas espécies em falta não teria o mesmo efeito em todo o lado. Na região Alpina, a mudança seria modesta porque muitos dos grandes animais já estão presentes ou desempenham papéis ecológicos semelhantes. No entanto, nas regiões Continental e, especialmente, na Mediterrânica, o impacto seria significativo. Adicionar espécies como o urso-pardo, o cavalo selvagem e o uro aumentaria dramaticamente a variedade de formas como estes animais interagem com o ambiente. Mais notavelmente, a quantidade de vegetação que estes animais consumiriam duplicaria, em mais do que o dobro no Mediterrâneo, subindo de cerca de 4,45 toneladas por quilómetro quadrado por ano para 10,58 toneladas. Esta mudança também alteraria o tipo de hábitos alimentares na área, movendo a comunidade de um foco maior em pastar folhas e ramos para um foco muito mais forte em pastar ervas. Esta mudança na dieta poderia ajudar a evitar que plantas lenhosas dominassem os prados abertos e poderia até reduzir o combustível disponível para incêndios florestais perigosos, uma preocupação crescente no sul da Europa.
Contudo, o estudo alerta que mais herbivoria nem sempre é melhor. Os investigadores examinaram habitats protegidos específicos para ver como estes reagiriam a esta pressão aumentada. Descobriram que, embora alguns prados abertos e zonas de matagal beneficiariam do pastoreio extra, muitos habitats florestais e bosques especializados sofreriam provavelmente. Estas áreas requerem frequentemente baixos níveis de perturbação para sobreviver, e o pisoteio e a alimentação adicionados poderiam danificá-las. O estudo também analisou o lado humano da equação através de uma revisão da literatura recente. Destacou que, embora o re-selvagemento possa trazer benefícios como o turismo baseado na natureza e uma renovada ligação às tradições rurais, também acarreta riscos sérios. Estes incluem a propagação de doenças entre animais selvagens, gado e pessoas, danos em culturas e colmeias, e conflitos com comunidades locais que temem pela sua segurança ou meios de subsistência. A presença de grandes herbívoros também poderá atrair grandes carnívoros, como lobos, que poderão então predar animais domésticos, criando uma nova camada de tensão.
Em última análise, o artigo conclui que o re-selvagemento de megaherbívoros não é uma solução única para todos. Sugere que o sucesso depende inteiramente do contexto específico da paisagem e da gestão cuidadosa das populações animais. Simplesmente libertar animais na natureza sem um plano poderia levar a danos não pretendidos, como o sobrepastoreio de habitats sensíveis ou o desencadeamento de conflitos sociais. Os autores argumentam que quaisquer esforços futuros devem ser planeados com limites de densidade precisos e um forte envolvimento local para garantir que a restauração destes processos ecológicos antigos beneficie verdadeiramente tanto a natureza como as pessoas que vivem ao seu lado.
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