← Últimos artigos
📈 economics

Digital Financial Inclusion and Money-Laundering Risk: Cross-Sectional Evidence from the Basel AML Index 2025

Utilizando dados transversais do Basel AML Index 2025, este estudo constata que a aparente associação negativa entre a adoção de fintech e o risco de lavagem de dinheiro desaparece uma vez que a qualidade institucional e o Estado de direito são controlados, indicando que a governança forte, em vez da digitalização de pagamentos, é o principal motor para um menor risco de AML.

Autores originais: Anas Al Qudah

Publicado 2026-09-15
📖 6 min de leitura🧠 Leitura aprofundada

Autores originais: Anas Al Qudah

Artigo original sob licença CC BY 4.0 (https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/). Esta é uma explicação gerada por IA do artigo abaixo. Não foi escrita nem endossada pelos autores. Para precisão técnica, consulte o artigo original. Ler aviso legal completo

No mundo financeiro moderno, o dinheiro raramente circula como dinheiro físico. Ele flui através de trilhos digitais: contas bancárias, carteiras de telemóvel e aplicações de pagamentos instantâneos. Esta mudança despertou uma ideia esperançosa entre formuladores de políticas e reguladores: a de que movimentar dinheiro online torna mais difícil escondê-lo. A lógica é direta. Quando entrega um maço de notas, a transação não deixa rasto. Mas quando envia dinheiro digitalmente, um registo é criado automaticamente. Este rasto de papel digital, diz a teoria, atua como um holofote constante, tornando difícil para os criminosos lavarem dinheiro sujo sem serem vistos. Consequentemente, muitos esforços internacionais para expandir o acesso à banca e aos pagamentos digitais são justificados pela crenRecuperação de que estas ferramentas irão naturalmente limpar o sistema financeiro e reduzir o risco de branqueamento de capitais.

No entanto, um novo estudo desafia esta visão otimista ao fazer uma pergunta mais difícil: será que a própria tecnologia faz o trabalho, ou será que ela simplesmente revela a qualidade do sistema em que opera? A investigação, liderada por Anas Al Qudah, da Universidade de Yarmouk, examina se a adoção da tecnologia financeira reduz de facto o risco de branqueamento de capitais em diferentes países. Para compreender a resposta, deve-se observar o conceito de "qualidade institucional". Isto refere-se à força das leis de um país, à imparcialidade dos seus tribunais e à eficácia da sua polícia e reguladores. Num país com instituições fortes, as regras são aplicadas de forma consistente e os funcionários agem com integridade. Num país com instituições fracas, as regras podem existir no papel, mas são ignoradas na prática. O estudo investiga se os pagamentos digitais podem corrigir um sistema avariado por si só, ou se apenas funcionam quando o sistema já está a funcionar bem.

Os investigadores recolheram dados de 177 jurisdições diferentes, combinando uma nova pontuação de risco global para o branqueamento de capitais com estatísticas sobre quantas pessoas nesses países utilizam ferramentas financeiras digitais. Analisaram três medidas específicas de utilização de tecnologia: quantos adultos possuem uma conta bancária, quantos utilizam serviços de dinheiro móvel e quantos realizam ou recebem pagamentos digitais. Compararam depois estes números com as pontuações de risco de branqueamento de capitais, contabilizando cuidadosamente a riqueza de cada país e o acesso à internet. O objetivo era ver se a tecnologia em si era a causa da redução do risco, ou se o risco era, na verdade, impulsionado pela força subjacente do quadro jurídico e regulatório do país.

Os resultados revelam um padrão claro e surpreendente. À primeira vista, os dados parecem apoiar a narrativa popular. Países com taxas mais elevadas de adoção de pagamentos digitais têm, de facto, pontuações de risco de branqueamento de capitais mais baixas. Este elo inicial é forte e estatisticamente significativo. No entanto, esta relação desaparece no momento em que os investigadores contabilizam a qualidade das instituições do país. Quando adicionaram uma medida do "Estado de Direito" — que capta a forma como um país aplica as suas leis e protege os direitos de propriedade — a ligação entre a tecnologia e o menor risco desapareceu. Em países com um Estado de Direito fraco, ter mais pagamentos digitais não reduziu a pontuação de risco. Em países com um Estado de Direito forte, o risco já era baixo, independentemente de quanta tecnologia fosse utilizada.

Este resultado sugere que a tecnologia não é um escudo independente contra o crime. Em vez disso, a capacidade de detetar e travar o branqueamento de capitais depende quase inteiramente dos "guardiões" do sistema: os reguladores, juízes e agentes da autoridade que monitorizam os rastos digitais. Se um país tem instituições fortes, os registos digitais gerados pelas fintechs são úteis porque existe alguém para os ler e agir sobre eles. Se um país tem instituições fracas, os registos digitais existem, mas não há ninguém com o poder de aplicar as regras a utilizá-los de forma eficaz. O estudo descobriu que a força do sistema jurídico de um país era o fator dominante na previsão do risco de branqueamento de capitais, superando largamente o impacto de quantas pessoas utilizavam dinheiro móvel ou pagamentos digitais.

Os investigadores testaram esta conclusão de várias formas para garantir que não era uma casualidade. Analisaram diferentes partes da distribuição de risco, verificando se a tecnologia ajudava apenas os países mais seguros ou apenas os mais arriscados, e não encontraram evidências de tal divisão. Também corrigiram o facto de os dados sobre dinheiro móvel estarem em falta para muitos países, particularmente em regiões onde a tecnologia é mais comum, e o resultado permaneceu o mesmo. O estudo também notou um detalhe subtil mas importante sobre como as pontuações de risco são calculadas. O índice global utilizado para medir o risco de branqueamento de capitais inclui medidas de corrupção e do Estado de Direito como parte da sua própria fórmula. Isto significa que parte da razão pela qual a ligação tecnológica desapareceu é que a pontuação de risco é parcialmente construída a partir dos próprios fatores institucionais que os investigadores estavam a testar. Mesmo após contabilizar esta sobreposição mecânica, o achado central manteve-se: a qualidade institucional é o principal motor da segurança, não a digitalização dos pagamentos.

Uma limitação crucial do estudo é que se foca na tecnologia financeira convencional, como contas bancárias e aplicações padrão de dinheiro móvel. Não abrange o mundo mais recente e de crescimento mais rápido dos ativos virtuais e criptomoedas, que operam num espaço frequentemente menos regulado. Os investigadores reconhecem que os riscos associados a estes novos ativos digitais podem seguir regras diferentes, mas os seus dados ainda não conseguem medir esse canal específico. Para a vasta maioria do sistema financeiro que depende de bancos regulados e redes móveis, contudo, a evidência é clara. A adoção de ferramentas de pagamento digital não torna automaticamente um país mais seguro contra o branqueamento de capitais.

O estudo conclui que tratar a adoção digital como uma solução isolada para o crime financeiro é um erro. Doadores e formuladores de políticas que pressionam pela maior utilização de dinheiro móvel ou contas digitais como forma de melhorar as defesas contra o branqueamento de capitais devem ser cautelosos. A tecnologia é uma ferramenta, não um substituto para a governação. Sem leis fortes, tribunais independentes e reguladores eficazes para aplicar as regras, o rasto digital é apenas um registo de um crime que ninguém está a travar. O caminho para um sistema financeiro mais seguro reside não na velocidade da transação, mas na força das instituições que a supervisionam.

Afogado em artigos na sua área?

Receba digests diários dos artigos mais recentes que correspondam às suas palavras-chave de pesquisa — com resumos técnicos, no seu idioma.

Experimentar Digest →