Communication barriers to dental care for deaf and hard-of-hearing children: a cross-sectional survey of guardians in Bangkok, Thailand
Um levantamento transversal com responsáveis em Bangkok revela que barreiras de comunicação, decorrentes principalmente da falta de proficiência em língua de sinais por parte dos profissionais de odontologia, afetam quase metade das crianças surdas ou com deficiência auditiva que recebem cuidados odontológicos, destacando uma necessidade urgente de aumentar a competência dos prestadores e a disponibilidade de intérpretes, em vez de focar em características familiares.
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Resumo Técnico: Barreiras de Comunicação no Atendimento Odontológico para Crianças Surdas e com Deficiência Auditiva em Bangkok
Definição do Problema
Indivíduos surdos e com deficiência auditiva (DHA) relatam globalmente resultados de saúde bucal inferiores e dificuldades frequentes de comunicação durante o atendimento odontológico em comparação com seus pares ouvintes. Embora a literatura existente em contextos de alta renda e língua inglesa identifique a comunicação como um determinante primário das lacunas de acesso, há uma escassez de dados quantitativos sobre essas barreiras no contexto tailandês. Especificamente, permanece desconhecido como as barreiras de comunicação se manifestam no atendimento odontológico tailandês para crianças com DHA, quais subgrupos demográficos ou clínicos são mais afetados e como essas barreiras interagem com os direitos do Esquema de Cobertura Universal (UCS). Este estudo aborda a lacuna na compreensão do conteúdo e da distribuição dessas barreiras para informar o desenho de serviços de saúde bucal equitativos na Tailândia.
Metodologia
O estudo empregou um delineamento de pesquisa transversal realizado entre dezembro de 2017 e janeiro de 2018.
- População: A amostra consistiu em responsáveis por todos os alunos matriculados nas duas principais escolas para surdos em Bangkok: Escola Setsatian para Surdos e Escola Thungmahamek para Surdos. A população elegível total era de 278 famílias; 262 questionários utilizáveis foram devolvidos (taxa de resposta de 96,8%).
- Instrumento: Um questionário estruturado foi desenvolvido com base em observações de sala de aula, entrevistas com professores/responsáveis e dados nacionais de pesquisa de saúde bucal. Compreendia quatro seções: demografia dos responsáveis, demografia da criança (incluindo status auditivo e severidade), padrões de acesso a serviços odontológicos e experiências de comunicação.
- Desfecho Primário: Uma pergunta de itens fechados perguntando se ocorreu uma barreira de comunicação durante o atendimento odontológico da criança (Sim/Não). Os responsáveis que relataram uma barreira forneceram descrições de itens abertos.
- Análise:
- Quantitativa: Estatística descritiva, testes qui-quadrado (e testes exatos de Fisher para contagens de células pequenas) e regressão logística multivariável foram utilizados para testar associações entre barreiras e características sociodemográficas/clínicas.
- Qualitativa: Respostas abertas (63 descrições gerando 81 menções codificadas) passaram por dupla codificação independente por dois autores utilizando análise de conteúdo qualitativa. A confiabilidade interexaminadores foi substancial (κ de Cohen = 0,73).
- Exploratória: Análises post-hoc examinaram padrões de uso de serviços, consciência dos direitos do UCS e atitudes dos responsáveis.
Principais Resultados
- Prevalência de Barreiras: Entre os 171 responsáveis que responderam ao item de barreira (representando crianças com experiência de atendimento odontológico), 48,5% (83 indivíduos) relataram pelo menos uma barreira de comunicação.
- Natureza das Barreiras: A análise de conteúdo qualitativa identificou quatro temas primários, sendo a incapacidade de língua de sinais por parte do profissional o tema dominante (29 menções, 28,6% das menções codificadas).
- Incapacidade do Profissional: O problema específico mais frequente foi o pessoal odontológico não conhecer a língua de sinais, impedindo a comunicação direta.
- Ruptura de Intercâmbio: Falhas na compreensão mútua entre dentista e criança (14,3%) e criança e dentista (11,1%).
- Limitações da Criança: Incapacidade da criança de expressar sintomas (12,7%).
- Limitações da Família: Incapacidade dos responsáveis em sinalizar com fluência suficiente para fazer a ponte (20,6%).
- Disponibilidade de Intérpretes: Intérpretes profissionais eram raramente utilizados (9,4%–13,6% das visitas); a comunicação era amplamente mediada por acompanhantes, que frequentemente falavam inteiramente em nome da criança (36,5%).
- Determinantes das Barreiras: Nenhuma característica do responsável (educação, renda, relacionamento) ou característica da criança (sexo, status congênito, deficiência adicional, uso de aparelho auditivo) foi independentemente associada ao relato de uma barreira no modelo de regressão logística multivariável. Embora tenha existido uma associação não ajustada com a severidade da perda auditiva, esta não foi significativa após categorização clinicamente significativa ou ajuste multivariável.
- Uso de Serviços e Consciência:
- O cuidado foi predominantemente orientado por sintomas (46,5%); apenas 20,1% compareceram rotineiramente.
- A consciência sobre os direitos do UCS foi baixa: 68,0% dos responsáveis não sabiam onde a cobertura da criança poderia ser utilizada.
- A falta de conhecimento sobre os direitos estava significativamente associada a nunca ter visitado um dentista (12,9% vs. 1,5% para responsáveis cientes, p=0,009).
- 94,5% dos responsáveis afirmaram que buscariam mais cuidados se fossem informados sobre os direitos.
- Atitudes dos Responsáveis: Responsáveis que relataram barreiras foram significativamente mais propensos a preferir instalações com dentistas ou intérpretes capazes de utilizar a língua de sinais (ORs brutos variando de 2,5 a 3,5).
Principais Contribuições
- Evidência Empírica na Tailândia: Este estudo fornece os primeiros dados quantitativos sobre barreiras de comunicação no atendimento odontológico para crianças com DHA na Tailândia, indo além de evidências anedóticas ou estudos focados em ambientes não odontológicos.
- Determinantes Sistêmicos vs. Individuais: Os achados desafiam a suposição de que as barreias são impulsionadas por características familiares (ex: renda, educação) ou pela severidade da deficiência da criança. Em vez disso, os dados sugerem que a lacuna reside principalmente na capacidade do provedor e do serviço, especificamente a falta de competência em língua de sinais entre o pessoal odontológico e a ausência de intérpretes profissionais.
- Identificação de Barreiras Informacionais: O estudo destaca que a falta de consciência sobre os direitos de cobertura universal é uma barreira crítica a montante, impedindo o acesso inicial ao cuidado para uma parte significativa da população.
- Insight Qualitativo: A análise de conteúdo revela que a "mecânica da linguagem compartilhada" (especificamente a incapacidade dos dentistas de sinalizar) é o obstáculo avassalador, levando à exclusão da voz da criança nas interações clínicas.
Significância e Alegações
Os autores alegam que as barreiras de comunicação afetam aproximadamente metade das crianças com DHA que receberam atendimento odontológico nesta população. O estudo postula que a solução primária não reside em focar em subgrupos específicos de alto risco de famílias ou crianças, mas sim em melhorias sistêmicas na força de trabalho e na prestação de serviços odontológicos.
O artigo conclui que as prioridades para avançar a equidade incluem:
- Construir competência fundamental em língua de sinais dentro da força de trabalho odontológica (incluindo a equipe de recepção).
- Garantir a disponibilidade confiável de intérpretes de língua de sinais qualificados.
- Desenvolver ferramentas digitais sinalizadas adaptadas à Língua de Sinais Tailandesa.
- Melhorar a disseminação de informações sobre os direitos de cobertura universal através das escolas para converter a demanda latente em utilização real do cuidado.
Os autores mantêm uma postura modesta, reconhecendo que seus dados observacionais identificam prioridades em vez de provar a eficácia de intervenções. Eles observam limitações quanto à dependência de relatos dos responsáveis em vez de observação direta, a amostra baseada em escolas urbanas e o delineamento transversal que impede a inferência causal. No entanto, argumentam que a convergência do conteúdo das barreiras, a falta de associações de subgrupos e as preferências dos responsáveis aponta fortemente para a capacidade do provedor e o acesso à informação como os alavancadores críticos para a mudança.
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