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In the Tyrants’ Court: The Political Action of Alexandre Kojève

Baseando-se em fontes arquivísticas, este ensaio reconstrói o engajamento político de Alexandre Kojève no início da década de 1940 para revelar como ele aplicou estrategicamente sua filosofia para servir a diversos poderes, incluindo Vichy e a Resistência, em busca de um "Império Latino" pós-nacional capaz de transcender o liberalismo e o internacionalismo.

Autores originais: Marco Filoni

Publicado 2026-08-25
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Autores originais: Marco Filoni

Artigo original sob licença CC BY 4.0 (https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/). Esta é uma explicação gerada por IA do artigo abaixo. Não foi escrita nem endossada pelos autores. Para precisão técnica, consulte o artigo original. Ler aviso legal completo

A história é frequentemente escrita pelos vencedores, mas a vida de um filósofo é geralmente escrita por suas ideias, destacadas da realidade caótica do momento. Tendemos a pensar nos grandes pensadores como observadores, parados à margem enquanto o mundo arde, oferecendo sabedoria de uma distância segura. No entanto, a história de Alexandre Kojève, um filósofo nascido na Rússia que viveu na França, desafia essa imagem silenciosa. Por décadas, estudiosos debateram seu legado, presos entre suas famosas palestras sobre o "fim da história" — a ideia de que o conflito humano eventualmente leva a um estado final e estável de sociedade — e as escolhas políticas confusas e muitas vezes controversas que fez durante a Segunda Guerra Mundial. A questão central tem sido, há muito tempo, se Kojève era um intelectual desapegado ou um homem que tentou ativamente moldar os governos de seu tempo, mesmo quando esses governos eram profundamente falhos.

Um novo estudo de Marco Filoni, um pesquisador da Link Campus University, busca resolver esse mistério ao examinar documentos que antes estavam ocultos ou negligenciados. O artigo reconstrói as ações políticas de Kojève durante o início da década de 1940, um período em que a França estava ocupada pela Alemanha Nazista e dividida entre um governo colaboracionista em Vichy e a Resistência francesa clandestina. O estudo argumenta que Kojève não escolheu lados com base na moralidade ou segurança pessoal. Em vez disso, ele atuou como um "filósofo-conselheiro", um estrategista que oferecia suas ideias para qualquer poder que estivesse no comando, acreditando que a verdadeira filosofia deve ser testada no mundo real do poder e da autoridade.

O núcleo da pesquisa de Filoni baseia-se em uma jornada cronológica através dos escritos de Kojève de 1942 a 1945. O primeiro grande texto examinado é um manuscrito escrito em maio de 1942, intitulado A Noção de Autoridade. Naquela época, a França estava sob o controle do Marechal Pétain, um líder que havia se aliado aos nazistas. Enquanto muitos dos pares de Kojève, incluindo seu amigo, o padre jesuíta Gaston Fessard, debatiam se o governo de Vichy tinha algum direito de governar, Kojève tomou um caminho diferente. Ele escreveu uma análise da autoridade de Pétain que tratava o líder como um "guia revolucionário" com um projeto universal. Neste texto, Kojève não condenou o regime; ele analisou como ele funcionava, sugerindo que a autoridade é uma força histórica que deve ser compreendida, não apenas julgada por padrões morais. Ele chegou a incluir um plano para uma "Revolução Nacional", mostrando que estava disposto a colaborar com o governo de Vichy para ajudar a moldar sua estrutura política.

Essa disposição para trabalhar com poderes controversos continuou mesmo conforme a guerra mudava de rumo. Em outubro de 1944, poucas semanas antes da libertação de Paris, Kojève coassinou um panfleto de propaganda para a Resistência Francesa como um de seus dois "administradores" ou "diretores", ao lado de J. Bass (André). O documento não tinha título, mas trazia a indicação "Außenpolitische Blätter" (Jornal de Política Externa) em sua primeira página. Foi desenhado para ser lido por oficiais e líderes políticos alemães que começavam a perceber que sua derrota era inevitável. Neste texto, Kojève ofereceu uma maneira para a Alemanha salvar as aparências e transitar para uma era pós-Hitler. Ele argumentou que a guerra foi causada por um mal-entendido entre civilizações e equipou os leitores alemães com argumentos que eram tanto pró-russos quanto pró-soviéticos, baseados em uma leitura secular da história das relações entre as duas civilizações. Isso não era um apelo à paz baseado na bondade, mas um cálculo estratégico para ajudar a Alemanha a navegar pelo cenário político vindouro. O panfleto foi assinado por Kojève e um líder da Resistência, mostrando sua habilidade de mover-se entre campos opostos para servir ao seu objetivo maior: a criação de uma nova ordem política.

O mais famoso desses documentos é o Esboço de uma Doutrina Política Francesa, escrito em agosto de 1945, logo após o fim da guerra. Neste texto, Kojève propôs a ideia de um "Império Latino". Ele argumentou que o estado-nação tradicional era uma forma de governo ultrapassada que não conseguia mais lidar com a tecnologia moderna ou conflitos globais. Em vez disso, ele vislumbrou uma união política de França, Itália e Espanha, juntamente com seus territórios africanos, unidos por uma cultura e história compartilhadas. Este império seria liderado pela França e apoiado pela Igreja Católica, atuando como uma ponte entre as potências ocidentais e orientais. Kojève acreditava que apenas uma estrutura imperial de grande escala poderia substituir o estado-nação falho e prevenir guerras futuras. Embora o oficial francês que recebeu a proposta, Robert Marjolin, tenha rejeitado a ideia por ser muito semelhante à propaganda de Vichy, a visão de Kojève antecipou a formação posterior da União Europeia, que ele via como um passo necessário em direção a um estado global e unificado.

Para entender por que Kojve agiu dessa forma, Filoni examina dois manuscritos inéditos descobertos nos arquivos de Henri Moysset, um ministro do governo de Vichy. Esses textos, escritos entre 1942 e 1943, revelam o profundo engajamento de Kojève com o conceito de "neoformações políticas". Ele agrupou a União Soviética, a Itália Fascista e a Alemanha Nazista como novos tipos de estados que tentavam criar uma unidade total entre o governo e o povo. Kojève não necessariamente elogiava sua brutalidade, mas admirava sua capacidade de criar uma autoridade forte e centralizada. Ele argumentava que esses regimes eram bem-sucedidos porque usavam a propaganda não apenas para mentir, mas para construir uma demanda genuína por autoridade. Ele acreditava que, para um estado funcionar, deve conscientemente educar seus cidadãos e criar um sistema onde o povo aceite voluntariamente o poder do governo. Essa perspectiva o aproximou das ideias de Carl Schmitt, um teórico jurídico alemão que acreditava que a política é definida pela distinção entre amigo e inimigo. Kojève via o fim da história não como uma utopia pacífica, mas como um momento em que a luta pelo reconhecimento seria resolvida através de um estado universal.

O estudo conclui que Kojève nunca foi um observador passivo. Ele era um homem que acreditava que, para pensar sobre política, é preciso participar dela, mesmo que isso significasse trabalhar com tiranos ou regimes controversos. Ele não via seu papel como um juiz moral, mas como um estrategista que poderia ajudar a moldar o futuro do mundo. Ao colocar suas ideias a serviço do governo de Vichy, da Resistência e da administração do pós-guerra, Kojève demonstrou que sua filosofia era uma ferramenta para a ação. Ele acreditava que o "fim da história" não era um sonho distante, mas um processo que exigia esforço humano para ser construído. O artigo sugere que o legado de Kojève não reside apenas em suas palestras sobre Hegel, mas em suas tentativas ativas, e muitas vezes desconfortáveis, de transformar suas ideias em realidade, independentemente do custo político. Sua vida serve como um lembrete de que as questões filosóficas mais profundas são frequentemente respondidas não no silêncio, mas na corte barulhenta e complicada do poder.

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